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Mostrando postagens de abril, 2025

Objeto de estudo - Experimento Cênico1 - A poesia sonora - O chão fala

 Experimento "DA-DA" Dispositivo:  microfone de chão (direto no piso, sem pedestal) câmera fixa (ângulo baixo médio, frontal ou levemente lateral) Ação: Deita-se ao lado do microfone, como quem ouve primeiro o chão Silencio e expectativa Experimento criativo de situações com a palavra DADA Cavalo Marcha Nupcial Som de psicose o filme Gemidos Palavras em DADA:  2w Plutzá! Rambilófio Trek- tru- tráy Urralinde! Zonfréptico Gaga-blé Trrri-ca-fum Catubum-tchaz Dracarys

Futurismo e a poesia sonora

     Poesia sonora é uma forma de expressão que deve ser escutada, e não apenas lida. Diferentemente da poesia escrita e linear, que exige a leitura ocular da página, a poesia sonora prioriza a escuta. Não é necessário lê-la, embora muitas vezes, também seja importante vê-la, pois o poeta está presente na cena e realiza a declamação ao vivo.      Nessa forma de poesia, a voz é o elemento central, mais relevante do que o papel. A poesia sonora antecede o texto, ela não precisa seguir uma narrativa ou contar uma história. Não nasce de um lugar cotidiano ou clássico, mas sim de uma linguagem experimental, que desafia as formas convencionais de comunicação poética.     Poesia sonora não é música, pois não há um código. O performer experimenta o som. Poetas: Américo Rodrigues - Português Enzo Minarelli - Italiano -POEMA * "futuro da poesia é a poesia sonora" Philadelpho Menezes - Brasileiro      O Futurismo nasce na Itália em 190...

Objeto de estudo - Experimento 2 - Dramaturgia do ensaio repetir até morrer: a voz como dramaturgia

Dramaturgia do ensaio repetir até romper: a voz como dramaturgia     O segundo experimento parte da sala de ensaio como espaço cênico e dramatúrgico. um lugar de intimidade e de exposição. nele, o ator inicia um aquecimento vocal, um gesto comum, cotidiano quase invisível dentro dos processos de criação teatral. Aos poucos esse aquecimento se transforma.        Entre ressonâncias, respirações e vibrações, emerge um texto. Um texto único, curto, sem alterações, mas que será repetido em loop. Cada repetição é uma nova escuta. A mesma frase, agora habitada por diferentes dinâmicas vocais: sussurros, gritos pausa, deslizes, ruídos, musicalidades.      Este texto será criado propositalmente por seu potencial fonético e rítmico, permitindo torções sonoras e corporais. A proposta é tratar o texto como partitura e o corpo como instrumento de ressonância sem necessidade de sentido lógico, mas com potência dramatúrgica vocal.     O objetivo n...

Platão e Voz

 O texto Crátilo, de Platão no qual o autor discorre semanticamente sobre os sons das vogais e consoantes na passagem do diálogo entre Sócrates e Hermógenes. Diz Sócrates      A letra "r" pareceu a quem estabeleceu os nomes um belo instrumento para o movimento, capaz de representar a mobilidade. Percebeu, segundo penso, que nessa letra a língua se detinha menos e vibrava mais; daí parece-me que se serviu dela para exprimir o movimento. A letra "i" valeu para tudo o que é sutil e em tudo penetra. Por isso mesmo imita com ela os movimentos de ir (iénai) e avançar (íesthai), da mesma forma que empregou 'ph, ps, s, z', letras aspiradas todas elas, na imitação de noções como psychrón (frio), zéon (fervente), séiesthai (agitado) e os abalos em geral (siémos). E quando imita alguma coisa da natureza do vento, na maioria das vezes é as letras desse tipo que o instituidor dos nomes parece recorrer. Para também ter ompreendido que a pronúncia do 't' e do '...

Dadaísmo e o gesto vocal

     Zurique, 1916. Enquanto o mundo sangra na Primeira Guerra Mundial, um grupo de artistas expatriados se reúne no Cabaret Voltaire, um pequeno espaço de performance. eles estão em choque. O mundo ruiu. A razão, a lógica, os discursos civilizatórios, tudo isso levou à guerra.     Eles decidem reagir com escárnio e caos. Assim nasce o Dadaísmo, movimento artístico radical, antiburguês, antibélico e acima de tudo, anti-sentido. "Dada não significa nada. Dada, Dada, Dada ... é o som de uma criança, de um cavalo, de uma gargalhada sem dono" *Hugo Ball      Um dos fundadores do Dadaísmo, é o grande nome da poesia sonora dadaísta. em junho de 1916, ele sobe ao palco do Cabaret Voltaire vestido com um traje místico, cheio de cones azuis e dourados, e declama: "Gadji beri bimba glandridi lauli lonni cadori..."     Esse poema se chama "Karawane" e não quer dizer nada, ou melhor, quer dizer tudo sem significar nada.     Ball cria o que...

Objeto de estudo prático - Experimento 3 - Voz em trânsito: Antígona Subterrânea

                                                                                          Texto de estudo Sófocles com tradução de Millôr  Tumba, alcova nupcial, eterna prisão de pedra, seja o que seja,  lá esperam mortos sem número, para abrir seus braços de sombra a esta infeliz que desce a sepultura sem ter provado o gosto da existência. Levo comigo a esperança de ser bem recebida por ti, meu pai: saudada com alegria por ti, minha mãe; esperada com ternura por ti meu irmão; pois, na hora da morte, eu não os abandonei.  Os corpos de meus pais, lavei-os e vesti-os com minhas próprias mãos, encomendei-os aos deuses, pratiquei sobre eles os ritos funerários E é por ter ousado fazer o mesmo com teu corpo em ruínas, meu irmão Polinices,  que me dão ...

Entre o Grito e o Sussurro: A dramaturgia vocal do ator em diálogo com as paisagens sonoras e a poesia experimental

    A voz é antes de tudo invocação. É som inaugural, chamado, desejo de resposta. Antes da palavra, a vocalidade. Este projeto parte do reconhecimento da voz como potência performativa e relacional, tensionando sua dimensão dramatúrgica em experiências cênicas que rompem com a centralidade do texto dramático e abrem espaço para uma escuta poética do mundo. O ator aqui, é o corpo sonoro em expansão.     Ao longo do século XX e XXI, a voz do ator passou por transformações fundamentais: da palavra representada no teatro burguês à materialidade vocal no teatro performativo. Pensar a voz como paisagem e performance nos permite desvinculá-la do bel canto e das formas ilusionistas, criando espaços de criação onde ruído, silêncio, ritmo, intensidade e timbre constroem novas dramaturgias.      Tendo como ponto de partida a paisagem sonora de Brasília, cidade marcada por silêncios arquitetônicos, ruídos institucionais e uma forte dualidade entre centro e peri...

A voz do ator como ponto de partida

  Provocações: voz do ator + paisagens sonoras O homem ao nascer é som vocal No âmbito etimológico da Vox latina, o primeiro significado de vocare é chamar, invocar. Ainda antes de se fazer palavra, a voz é uma invocação dirigida ao outro e confiante num ouvido que a acolhe. A sua cena inaugural coincide com o nascimento. Aqui o infante, com seu respiro inicial, invoca uma voz em resposta, chama um ouvido para acolher seu grito, convoca outra voz. A ligação intrauterina - que já era rítmica, musical - é quebrada. O primeiro vagido invoca então novo liame sonoro: vitalmente decisivo como a respiração que o sustenta. (...) A voz é sempre para o ouvido, é sempre relacional; mas nunca o é de modo peremptório como no vagido do infante: vida invocativa que se entrega inconscientemente a uma voz que responda. (...) Essa ligação instaura a comunicação primária de qualquer comunicável e por isso constitui um pré-requisito. Ainda não há nada a comunicar, salvo a comunicação mesma em sua pura...