Futurismo e a poesia sonora

    Poesia sonora é uma forma de expressão que deve ser escutada, e não apenas lida. Diferentemente da poesia escrita e linear, que exige a leitura ocular da página, a poesia sonora prioriza a escuta. Não é necessário lê-la, embora muitas vezes, também seja importante vê-la, pois o poeta está presente na cena e realiza a declamação ao vivo. 

    Nessa forma de poesia, a voz é o elemento central, mais relevante do que o papel. A poesia sonora antecede o texto, ela não precisa seguir uma narrativa ou contar uma história. Não nasce de um lugar cotidiano ou clássico, mas sim de uma linguagem experimental, que desafia as formas convencionais de comunicação poética.

    Poesia sonora não é música, pois não há um código. O performer experimenta o som.

Poetas:

Américo Rodrigues - Português

Enzo Minarelli - Italiano -POEMA

* "futuro da poesia é a poesia sonora"

Philadelpho Menezes - Brasileiro 

    O Futurismo nasce na Itália em 1909, com o poeta e agitador Filippo Tommaso Marinetti, que publica no jornal Le Figaro o Manifesto Futurista  

    "Um automóvel de corrida pe mais belo que a Vitória de Samotrácia"

    É o elogio da máquina, da guerra, da velocidade, da juventude, da cidade moderna. O futurismo quer destruir as bibliotecas, explodir os museus e libertar a linguagem da gramática, da lógica e da lentidão.     A poesia sonora tem tudo a ver com isso, para os futuristas, a palavra escrita é lenta demais. O mundo mudou: os trens, os carros, os aviões, as sirenes, o telégrafo, a modernidade é sonora, ruidosa. A poesia precisa correr junto.

   Os futuristas glorificaram a guerra como a "higiene do mundo", mas artisticamente eles transformaram em ruído poético. Os sons da violência viraram matéria-prima para a poesia: 

"BANG-BANG_BAGN ratatatata VROOOOOM SHHHHHHHHH KRAK KRAK"

    O futurismo é sedutor, mas também contraditório. Ao celebrar a guerra e a máquina, aproximou-se de movimentos fascistas., mas na arte, revolucionou o som, antecipando o rádio, o rap, o spoken word, os DJS.

"Queremos destruir o "eu" na poesia". Acabaram revelando o "eu vocal" mais explosivo da história moderna.

Marinetti: 

"Palavras em liberdade, palavras soltas, sem sitaxe, sem pontuação, misturadas com onomatopeias, sons mecânicos, neologismos, ruídos vocais"

"Zang Tumb Tumb" que imita o som de bobmas e metralhadoras na Guerra da Líbia "TATATATA BOUM crac crac crac"

    Não é apenas som, é a guerra transformada em performance vocal.  Essa é a base da poesia sonora futurista: o som como motor poético.

Luigi Russolo:

    Manifesto "A Arte dos Ruídos" 1913 e cria instrumentos chamados intonarumori (máquinas que produziam ruídos controlados)

"Os sons do século XX não vêm mais da natureza, mas da máquina"

Francesco Cangiullo:

    Escreve poemas que mais parecem partituras visuais para serem ditas em voz alta, com variações de ritmo, altura e intensidade.

Giovanni Fontana: 

    Sobreposições de vozes, performance com ovo, sons guturais, ele aproveita muito dos graves... Poesia epigenética, que propõe a ideia de uma texto que evolui e se transforma em camadas, voz, gesto, escrita, imagem, indo além da página escrita. Ele vê a poesia como um organismo mutante, que se realiza na performance e na oralidade.

    




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