Dadaísmo e o gesto vocal
Zurique, 1916. Enquanto o mundo sangra na Primeira Guerra Mundial, um grupo de artistas expatriados se reúne no Cabaret Voltaire, um pequeno espaço de performance. eles estão em choque. O mundo ruiu. A razão, a lógica, os discursos civilizatórios, tudo isso levou à guerra.
Eles decidem reagir com escárnio e caos. Assim nasce o Dadaísmo, movimento artístico radical, antiburguês, antibélico e acima de tudo, anti-sentido.
"Dada não significa nada. Dada, Dada, Dada ... é o som de uma criança, de um cavalo, de uma gargalhada sem dono"
*Hugo Ball
Um dos fundadores do Dadaísmo, é o grande nome da poesia sonora dadaísta. em junho de 1916, ele sobe ao palco do Cabaret Voltaire vestido com um traje místico, cheio de cones azuis e dourados, e declama:
"Gadji beri bimba glandridi lauli lonni cadori..."
Esse poema se chama "Karawane" e não quer dizer nada, ou melhor, quer dizer tudo sem significar nada.
Ball cria o que ele chama de "poema sonoro puro", uma sequência de sílabas inventadas, organizadas para causar impacto rítmico, fonético e emocional, sem depender da semântica.
*Raoul Hausmann: cria o "poema optofonético", unindo som e imagem.
*poema optofonético
Os dadaístas em seus poemas fonéticos souberam esta diferença. Além do o que dizer, eles exploravam o como dizer. Aliás, no famoso poema optofonético de R. Hausmann K p'eriom a palavra encontra-se completamente pulverizada havendo somente ação vocal ou gesto vocal.
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