Entre o Grito e o Sussurro: A dramaturgia vocal do ator em diálogo com as paisagens sonoras e a poesia experimental
A voz é antes de tudo invocação. É som inaugural, chamado, desejo de resposta. Antes da palavra, a vocalidade. Este projeto parte do reconhecimento da voz como potência performativa e relacional, tensionando sua dimensão dramatúrgica em experiências cênicas que rompem com a centralidade do texto dramático e abrem espaço para uma escuta poética do mundo. O ator aqui, é o corpo sonoro em expansão.
Ao longo do século XX e XXI, a voz do ator passou por transformações fundamentais: da palavra representada no teatro burguês à materialidade vocal no teatro performativo. Pensar a voz como paisagem e performance nos permite desvinculá-la do bel canto e das formas ilusionistas, criando espaços de criação onde ruído, silêncio, ritmo, intensidade e timbre constroem novas dramaturgias.
Tendo como ponto de partida a paisagem sonora de Brasília, cidade marcada por silêncios arquitetônicos, ruídos institucionais e uma forte dualidade entre centro e periferia, o estudo pretende investigar como a voz do ator pode emergir como dramaturgia própria, criando outras narrativas e presenças na cena contemporânea. Para isso, serão mobilizadas referências como o Teatro Laboratório de Jerzy Grotowski, o Roy Hart Theatre, os movimentos do Futurismo e do Dadaísmo, além de artistas como Yoko Ono, Laurie Anderson e Pierre Schaeffer e autores como Cavarero, Schafer, Cage e Artaud.
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