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Mostrando postagens de maio, 2025

Ensaios e Visita técnica - Antígona Subterrânea

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     A intenção da visita técnica foi de investigar o espaço e conseguir decidir o melhor lugar para a performance, e também pesquisar o ambiente sonoro da passagem subterrânea. Consegui achar o melhor lugar para a cena, todavia a pesquisa de áudio não funcionou, pois meu microfone dava muita interferência ... ou seja, consegui entender os sons que fazem parte do ambiente, todavia não consegui gravar para o registro.        Entrada da passagem Subterrânea na 107 norte, encontrei o lugar para a performance, a descrição do local como aparece no vídeo: as paredes pichadas, a passagem tem lixos pelo chão, e existem luzes elétricas em cima nas laterais do teto.           Essa visão da foto é uma ideia de um plano geral, essa foto tem um recorte da cidade com a passagem subterrânea. A ideia é de estar nessa parte da passagem, explorando o meio fundo como cenário.       Essa parte da passagem é a que fica no m...

O projeto até agora

  Título Provisório do Projeto Artístico (novo título, dia 26/05) Quando a voz do ator fricciona com a cidade: dramaturgias vocais e paisagens sonoras no espaço urbano Para o projeto de doutorado o título  A voz-cidade: dramaturgias vocais entre paisagens sonoras e presença performática Introdução No âmbito etimológico da Vox latina, o primeiro significado de vocare é chamar, invocar. Ainda antes de se fazer palavra, a voz é uma invocação dirigida ao outro e confiante num ouvido que a acolhe. A sua cena inaugural coincide com o nascimento. Aqui o infante, com seu respiro inicial, invoca uma voz em resposta, chama um ouvido para acolher seu grito, convoca outra voz. A ligação intrauterina - que já era rítmica, musical - é quebrada. O primeiro vagido invoca então novo liame sonoro: vitalmente decisivo como a respiração que o sustenta. (...) A voz é sempre para o ouvido, é sempre relacional; mas nunca o é de modo peremptório como no vagido do infante: vida invocativa que se entre...

Estudo específico sobre paisagem sonora - som - ruído

       O ambiente sonoro das cidades contemporâneas é marcado por uma sobreposição constante de sons que nos atravessam muitas vezes sem que nos demos conta. No centro dessa experiência urbana está a crescente predominância de ruídos mecânicos, eletrônicos e industriais sobre manifestações naturais ou humanas, como a própria voz. Conforme R. Murray Schafer (2002, p. 107), esse desequilíbrio se intensifica desde a Revolução Industrial, momento em que o som da máquina começa a substituir progressivamente o som da vida.    Esse fenômeno é conhecido como poluição sonora, compreendida como o excesso de sons desagradáveis, intensos ou indesejados que interferem no bem-estar físico, psicológico e social dos indivíduos. Trata-se de uma forma de poluição invisível: ela não deixa resíduos visuais, mas atravessa o corpo e compromete a escuta cotidiana. No ambiente urbano, essa poluição se manifesta de diversas formas: trânsito (buzinas, motores), obras (britadeiras, m...

Tríptico performativo: voz, cidade e paisagem sonora em Brasília

 Introdução       Este capítulo apresenta a etapa prática da pesquisa intitulada Entre o grito e o sussurro: A dramaturgia vocal do ator em diálogo com paisagens sonoras e poesia experimental, composta por três experimentos performativos realizados em espaços públicos da cidade de Brasília. Cada experimento parte de uma proposição vocal específica (silêncio, suspensão, invocação) e se inscreve em locais urbanos de intensa circulação e conflito: a Rodoviária do Plano Piloto,  o chão do Eixão e uma passagem subterrânea na Asa Norte.         Ao se deslocar do espaço cênico tradicional para o espaço público, a voz do ator é provocada a lidar com novos regimes de escuta e presença. Esses experimentos propõem a criação de uma dramaturgia vocal expandida, na qual o som da cidade, seus ruídos, suas interrupções e reverberações, não é pano de fundo, mas parte ativa da cena. A investigação parte do princípio de que a voz do ator não é apenas um in...

Atualização experimento III - Antígona Subterrânea

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    Este experimento cênico propõe a criação de uma performance a partir de um fragmento da tragédia Antígona, de Sófocles, transpondo para o contexto urbano de Brasília. A cena será realizada em uma passagem subterrânea da 107 norte, uma das mais movimentadas da Asa Norte. Lugar de travessia, reverberação, insegurança e esquecimento, a passagem transforma-se aqui em palco acústico e político, onde o mito encontra o concreto.      O objetivo é investigar como a voz do ator, em sua dimensão física, rítmica e afetiva, pode criar atmosferas, tensionar sentidos e reconfigurar o texto clássico ao se fundir com os sons da cidade. A passagem subterrânea, frequentemente evitada por mulheres e considerada perigosa pela população, carrega consigo um histórico de abandono e resistência, tornando-se, nesta proposta, corpo cênico e partitura sonora.       Durante a performance, o monólogo será emitido em meio aos ruídos do espaço: passos, buzinas, ec...

Objeto de estudo - Substituição do Experimento Cênico 2 - 2'11 Corpo Inteiro: Rodoviária de Ecos

  Reformulação do experimento performativo       Este segundo experimento surge da necessidade de descentralizar a voz enquanto eixo principal da investigação, propondo uma escuta mais horizontal e compartilhada entre corpo, espaço e sonoridade urbana. Na formulação anterior, a voz corria o risco de se impor sobre qualquer outro aspecto investigativo. Ao revisar essa abordagem, a proposta se reposiciona no campo da escuta radical: aqui, a vocalidade não desaparece, mas se retira estrategicamente, abrindo espaço para que a cidade atravesse o corpo e se faça ouvir.                                                     2'11 Corpo Inteiro: Rodoviária de Ecos      Este segundo experimento performativo investiga a relação entre corpo, voz e paisagem sonora urbana a partir de uma dramaturgia da ausência vocal. Inspirado pela obr...

DaDa no chão do Eixão - primeira visita técnica - 12/05/25

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     Ao propor uma performance no Eixão, evoca-se um espaço marcado por instabilidade e contradição: uma via de trânsito contínuo, construída sob os princípios de velocidade, funcionalidade e racionalismo urbano que regem o planejamento modernista de Brasília. Pensado para os carros, e não para os corpos, o Eixão materializa a lógica de uma cidade que privilegia o deslocamento mecânico em detrimento da presença sensível.      Inserir uma ação performática nesse território representa, portanto um gesto de ruptura: rompe-se não apenas com o uso técnico e utilitário do espaço, mas também como o ideário de uma urbanidade que desautoriza o corpo, a pausa, a escuta e o improviso. A performance, ao inscrever-se nesse não-lugar, tensiona o projeto moderno e instaura outras possibilidades de experiência urbana, poéticas, políticas e sensoriais    Este experimento tem como objetivo investigar a relação entre a voz do ator e a paisagem sonora urbana a partir...