Referências para o artigo
"O pensamento aqui sobre corpo e voz - assim como corpo e mente; voz e linguagem ou corpo e linguagem - considera que cada uma dessas instâncias existe na condição física e psiquíca simultaneamente, e que se relacionam sempre de maneira recíproca, nas quais uma incide sobre a outra a esculpindo e esculpindo-se concomitantemente
Sim, voz é corpo, e ainda assim são dimensões capazes de terem espessuras distintas, mesmo integradas ou uma contendo a outra. o corpo contém a voz e a voz contém o corpo. Assim, é possível perscrutar paralelos nas dinâmicas de funcionamento atuante em ambos que ampliam a maneira de abordá-los. Isso é mais que relacioná-los, não se trata de abordar uma das partes para explorar ou sensibilizar a outra simplesmente, mas passar a ter como objeto de estudo a unidade interagente corpo-voz como um sistema de funcionamento como princípios e dinâmicas que os regem mutuamente" Mônica A. P. Montenegro
Revita: REPERT. SALVADOR, ano 21, n 30, p. 1-454, 2018.1
"Entre os epaços específicos que a voz pode gerar e que são especialmente relevantes para os processos de criação artística, estão os espaços imaginários, que se relacionam muitas vezes aos espaços da experimentação vocal. Nestes, práticas determinadas levam a voz a soar e a criar. O som produzido pela ação voal ressoa, bate nas paredes, ecoa, e ao ser refletido expande seus limites. Os "espaços de ressonância", "espaços sonoros", "espaços de eco", como coloca Kolesch, interpõem-se e constituem o local onde o falar, o cantar e o ouvir tem luga rprivilegiado. Podemos então dizer que as vozes "[...] flutuam nos espaços e através destes espaços, uma sonoridade espessa, que ao mesmo tempo se manifesta como imaterial, que nos envolve, adquirindo mesmo uma qualdiade tátil". (KOLESCH, 2004, p. 118)"
STROLLI, Wânia Mara Agostini
"Epaços de ressonância e de eco de nosso corpo tornam-se ativos tanto na fala como na audição. (KOLESCH, 2019, p.10) Porém a apreensão da ressonância da voz não ocorre exclusivamente através do sentido da audição, mas esta atravessa nossa pele, atinge nossos ossos e órgãos, fazendo nosso corpo inteiro vibrar, tendo inclusive a capacidade de alterar nossos ritmos internos. Uma voz sussurrada afetada a respiração e o ritmo cardíaco de maneira distinta do que uma voz em alto volume. Como nos lembra Kolesch (2009, p.15): "não ouvimos apenas e exclusivamente com nossos ouvidos, mas com todo o corpo"
" o prazer de dar forma própria às ondas sonoras [...]". O prazer que existe no ato de vocalizar refere-se ao próprio prazer da existência. "A emissão é gozo vital, sopro acusticamente perceptível, no qual o próprio modela o som revelando-se como único". (CAVARERO, 2011, p. 19, grifo da autora)
"O caráter único de cada voz relaciona-se com sua origem corpórea, com o fato de ser emitida por um corpo também único. A voz está intimamente ligada a este corpo que a origina. Mais que isso, "nenhuma voz pode existir sem o corpo". (KOLESCH, 2009, p. 16) O corpo que gera a voz é seu espaço primordial, um espaço que, através da própria existência da voz, pode se expandir, atingindo o outro e tudo ao seu redor. A voz é, assim, uma forma de nos desalojar, de nos colocar em trânsito por caminhos inderteminados, relativizando os conceitos de dentro e fora. Rebatida por paredes ou correndo em espaços abertos, a voz transforma-se no instante mesmo em que é produzida, ocupando seu espaço gerador para logo em seguida deixá-lo.
Um ensemble, um conjunto improvisador, vive num constante processo de dar e receber. Uma pequena indicação de um parceiro - um olhar, uma pausa, uma entonação nova e inesperada, um movimento, um suspiro ou mesmo uma mudança quase imperceptível de ritmo - pode converter-se num impulso criativo, num convite [...]. (CHEKHOV, 2010, p. 49)
Chekhov (2010) aponta para a importância do desenvolvimento do que ele chama de sentimento de ensemble. Desenvolver um sentimento de grupo solicitaria, de cada integrante, predisposição para identificar e acolher as qualidades individuais de cada integrante do coletivo. Para tanto, o conjunto não deve ser visto como um agrupamento impessoal, e sim como um encontro de especificidades que compõem a equipe. Com suas palavras, Chekhov reflete sobre o valor da alteridade dentro da condução de um processo criativo ou de formação. processo que se aperfeiçoa a partir do encontro e troca de conteúdos entre individualidades distintas que trabalham para o melhor desenvolvimento de todo o coletivo. um trabalho que envolve, como já dito na citação acima, um constante movimento de dar e receber, no qual o artista nãos e desenvovle em toda a sua potência sem o contato com o outro. Desenvolver o sentimento de ensemble, portanto, implica em abrir o campo de sensivbilidade apra perceber os parceiros de cena e colocar-se em diálogo nos níveis mais sutis, reconhecendo os estímulos mais suaves da interação. O fortalecimento de um sentimento de grupo contribui para aumentar a eficiência da comunicação entre os participantes do coletivo e, com o devido direcionamento, ajuda a reforçar a intimidade e a transformar a sala de aula num ambiente de crescimento não apenas profissional, mas afetivo.
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