Texto de estudo Sófocles com tradução de Millôr Tumba, alcova nupcial, eterna prisão de pedra, seja o que seja, lá esperam mortos sem número, para abrir seus braços de sombra a esta infeliz que desce a sepultura sem ter provado o gosto da existência. Levo comigo a esperança de ser bem recebida por ti, meu pai: saudada com alegria por ti, minha mãe; esperada com ternura por ti meu irmão; pois, na hora da morte, eu não os abandonei. Os corpos de meus pais, lavei-os e vesti-os com minhas próprias mãos, encomendei-os aos deuses, pratiquei sobre eles os ritos funerários E é por ter ousado fazer o mesmo com teu corpo em ruínas, meu irmão Polinices, que me dão ...
O ambiente sonoro das cidades contemporâneas é marcado por uma sobreposição constante de sons que nos atravessam muitas vezes sem que nos demos conta. No centro dessa experiência urbana está a crescente predominância de ruídos mecânicos, eletrônicos e industriais sobre manifestações naturais ou humanas, como a própria voz. Conforme R. Murray Schafer (2002, p. 107), esse desequilíbrio se intensifica desde a Revolução Industrial, momento em que o som da máquina começa a substituir progressivamente o som da vida. Esse fenômeno é conhecido como poluição sonora, compreendida como o excesso de sons desagradáveis, intensos ou indesejados que interferem no bem-estar físico, psicológico e social dos indivíduos. Trata-se de uma forma de poluição invisível: ela não deixa resíduos visuais, mas atravessa o corpo e compromete a escuta cotidiana. No ambiente urbano, essa poluição se manifesta de diversas formas: trânsito (buzinas, motores), obras (britadeiras, m...
Título Provisório do Projeto Artístico (novo título, dia 26/05) Quando a voz do ator fricciona com a cidade: dramaturgias vocais e paisagens sonoras no espaço urbano Para o projeto de doutorado o título A voz-cidade: dramaturgias vocais entre paisagens sonoras e presença performática Introdução No âmbito etimológico da Vox latina, o primeiro significado de vocare é chamar, invocar. Ainda antes de se fazer palavra, a voz é uma invocação dirigida ao outro e confiante num ouvido que a acolhe. A sua cena inaugural coincide com o nascimento. Aqui o infante, com seu respiro inicial, invoca uma voz em resposta, chama um ouvido para acolher seu grito, convoca outra voz. A ligação intrauterina - que já era rítmica, musical - é quebrada. O primeiro vagido invoca então novo liame sonoro: vitalmente decisivo como a respiração que o sustenta. (...) A voz é sempre para o ouvido, é sempre relacional; mas nunca o é de modo peremptório como no vagido do infante: vida invocativa que se entre...
Comentários
Postar um comentário