1ª versão concluída
Resumo O objetivo deste artigo é analisar as práticas vocais desenvolvidas na Cia Club Noir, que constituem o objeto empírico central da investigação. A partir da experiência do autor como ator na companhia, examina-se um treinamento vocal que assumia papel determinante na criação cênica, mas era transmitido por uma pedagogia ambígua, marcada por correções sensíveis, vigilância constante e pouca explicitação técnica. Essa opacidade metodológica configura o problema que orienta a pesquisa, conduzida por meio de uma abordagem autoetnográfica articulada a um referencial teórico que envolve Michel Foucault, Pierre Bourdieu, Jacques Rancière, César Lignelli e Wania Storolli, especialmente no que concerne às relações entre disciplina, poder simbólico, formas de transmissão, modos de escuta e corporeidades vocais. A partir desses aportes, discute-se como o treinamento da companhia produzia intérpretes sensíveis e ajustados, mas também submetidos a formas de regulação incorporadas sem plena c...